segunda-feira, abril 26, 2010

Oscar 2011 - parte quatro


Melhor Filme: O Rei Gago vs Dude Wayne
Como o subtítulo já indica, dois filmes concorrerão palmo a palmo ao Oscar de melhor filme nos Academy Awards de 2011. Os outros oito filmes, ao meu ver, farão figuração. Não são filmes fracos os restantes, muito pelo contrário. Mas os dois nasceram com estrela. Quem vencerá, não sei dizer. Pode ser a consagração final dos Irmãos Cinema, os Coen. Pode ser a ascenção de uma nova estrela, Tom Hooper. Há, sempre, uma pedra no caminho. Nesse caso, uma árvore. The Tree of Life parece ser o único filme capaz de mudar meu prognóstico. Mas Malick já decepcionou antes - lembrem-se de The New World, seu último filme. Por isso mesmo, não está no título desse post. Em dez meses, veremos quem ganhou.

1 - The King's Speech. Dirigido por Tom Hooper, que faturou quatro Globos de Ouro com sua mini-série John Adams. Estrelado pelo recém-indicado Colin Firth, o oscarizado Geoffrey Rush, além de Michael Gambon, Guy Pearce e Helena Bonham Carter. Além de melhor filme, direção e as categorias de ator e atriz principais e ator coadjuvante, deve concorrer também a figurino, direção de arte e categorias semelhantes.

2 - True Grit. Se o anti-western No Country For Old Men ganhou quatro Oscars, incluindo melhor filme, o que acontece quando os Coen filmam um western clássico? Eu aposto em prêmios, muitos prêmios. O elenco é muito bom. Inclui, além do último premiado Jeff Bridges, o impávido e eternamente tosco Josh Brolin - a meu ver, em seu habitat natural, o western - e Matt Dammon. Fotografia nas mãos do oito vezes indicado Roger Deakins. Não sei se estou exagerando, mas acho muito difícil esse filme não receber ao menos meia dúzia de indicações.

3 - The Tree of Life. Terrence Malick é um mistério. Pode fazer um monumento visual como The Thin Red Line, pode fazer um filme esquecível como The New World. Agora, ao que parece, está evitando ao menos um dos erros cometidos no último filme: elenco. Em vez do fraco Colin Farrel, Malick escalou Sean Penn e Brad Pitt, juntando qualidade dramática e carisma. Como Malick escreveu o roteiro, também podemos esperar indicação nessa categoria, além da já esperada aula de fotografia e consequente indicação.

4 - The Conspirator. Robert Redford dirigiu apenas um filme memorável, Ordinary People, 30 anos atrás. Por que então aposto nesse projeto? Bom, Redford escolheu um belo elenco, liderado por James McAvoy (Last King of Scotland, Atonnement), além de Tom Wilkinson, Kevin Kline e a jovem e competente Evan Rachel Wood (seriado True Blood, The Wrestler, Across the Universe). A história também promete, pois trata de nada mais nada menos que o assassinato do presidente Abraham Lincoln, o que já garante antecipadamente a atenção e publico e mídia americanos, independente de sua qualidade.

5 - The Way Back. Primeiro filme dirigido por Peter Weir desde Master and Commander, de 2003, que foi indicado a dez Oscars e faturou dois. A Academia adora filmes épicos sobre guerra, especialmente II Guerra Mundial. O filme trata disso: a fuga de soldados de um gulag na Sibéria durante a II Guerra Mundial. Um assunto de interesse da Academia com um diretor que sabe fazer um filme de guerra. Além disso, o elenco é bom: Colin Farrell (a meu ver, o calcanhar de aquiles do filme), Ed Harris, Jim "Across the Universe" Sturgess e a menina Saoirse Ronan. Peter também escreveu o roteiro, ou seja, deve concorrer nessa categoria também. A fotografia ficou com Russel Boyd, que ganhou o Oscar da categoria por Master and Commander. O único ponto negativo é o fato de o filme tratar de russos (nem sempre isso faz sucesso nos EUA, vide Enemy at the Gates) e de a história ser um grande hoax. Isso mesmo. Há alguns anos, descobriram que o autor do livro que inspirou o filme nunca participou de fuga nenhuma, tendo inventado tudo. Mas, bom, ficção por ficção, isso é Hollywood, certo? Veremos.

6 - The Kids Are All Right. A comédia alternativa do ano. Ao menos é o que crítica, mídia e produtores e distribuidores (esses, principalmente) esperam. Senão vejamos. Fez imenso sucesso em Sundance esse ano. Como Little Miss Sunshine. Será lançado no meio do verão americano. Como Little Miss Sunshine. Trata de uma família esquisita. Como Little Miss Sunshine. Tem um elenco excelente: Annette Benning, Julianne Moore, Mark Ruffalo e a jovem Mia Wasikowska. Como Little Miss Sunshine! Só falta saber se o filme conseguirá resistir ao próprio hype e, claro, ao lançamento prematuro, seis meses antes da temporada de prêmios. Eu aposto em indicações também para roteiro, direção e atores - Ruffalo e Mia.

7 - Another Year. Nos últimos 15 anos, Mike Leigh dirigiu seis filmes. Quatro deles receberam indicações ao Oscar. A lição é: quando Mike Leigh lança um filme, a Academia prestará bastante atenção. Além disso, Leigh escreve o roteiro desse filme - indicação quase certa. E, para não correr riscos, Leigh escalou Imelda Stauton e o já oscarizado Jim Broadbent para os papéis principais. Que Another Year terá indicações, acho que ninguém em sã consciência duvida. Talvez não de melhor filme - mas eu aposto nela.

8 - Jane Eyre. O site IMDB afirma que o filme será lançado em 2011. Eu acho que poderemos ter uma surpresa e, na dúvida, ponho o filme aqui. O problema aqui é que a distribuidora, Focus Features, não tem nenhuma aposta segura para melhor filme em 2011, a não ser a comédia The Kids Are All Right, que, como eu disse, é uma comédia, ou seja, pode até ser indicado, mas ganhar são outros dobrões. Se Jane Eyre sair a tempo, é indicação garantida e chances reais de ganhar. Senão, vejamos: O filme é uma adaptação de um clássico da literatura inglesa. A principal produtora é a BBC, que raramente erra em suas adaptações. O elenco traz não só a promissora Mia Wasikowska, como Dame Judi Dench, Jamie "Billy Elliot" Bell e Sally "Happy Go Lucky" Hawkins. E é dirigido pelo super-hypado Cary Fukunaga, que ganhou Sundance e mais meia dúzia de prêmios em 2009 com o seu primeiro longa, o drama Sin Nombre. Se Jane Eyre sair em 2010, veremos ele no Oscar 2011.

9 - Toy Story 3. Isso mesmo. Mais uma vez, um desenho animado concorrendo a melhor filme. Estou arriscando demais? Talvez. Mas o filme tem credenciais para tanto. Seu diretor, Lee Unkrich, esteve a frente de Toy Story 2, Monsters Inc. e Finding Nemo. O roteirista, Michael Arndt, ganhou Oscar por Little Miss Sunshine em 2007. E... é o único, isso mesmo, único lançamento da Pixar em 2010 - a multivencedora produtora de desenhos está apostando simplesmente tudo nele. O filme certamente ganhará melhor animação e pode concorrer a roteiro e direção. Mas aposto também em indicação para melhor filme. Alguém se habilita a apostar contra?

10 - Inception e Never Let Me Go. Eu sei, estou trapaceando. Mas esse embate define bem o tipo de Oscar que teremos em 2011. Warner Bros. Pictures vs Fox Searchlight. Uma, acostumada a blockbusters, outra, conhecida por vender agressivamente filmes mais alternativos. Inception será lançado no verão americano, ponto contra. Mas é dirigido pelo excelente Christopher Nolan, em seu primeiro projeto desde Dark Night. E, bom, conta, em seu elenco, com Leonardo DiCaprio, Marion Cotillard, Michale Caine, Tom Berenger, Joseph Gordon Lewitt. Cada vez que olho esse elenco, tenho arrepios por não ter incluído nem unzinho deles em minha lista. Never Let Me Go, por sua vez, é o segundo filme do diretor Mark Romanek, que estreou com o esquecível One Hour Photo. Mas é a adaptação de um romance de Kazuo Ishiguro, que concorreu a inúmeros prêmios à época de seu lançamento e foi considerado melhor romance de 2005 pela Time. O elenco, em sua maioria feminino, também impõe respeito: Carey Mulligan, Sally Hawkins, Keira Knightley, Charlotte Rampling. Se o Oscar continuar a atual tendência em apostar em filmes mais autorais, teremos Never Let Me Go entre os indicados. Se ceder à pressão dos grandes estúdios, Inception ganha a vaga.

Gostaram da seleção? Discordam? Concordam?
Para vocês terem outra opinião, recomendo o blog de Chico Fireman. Chico fez uma ótima seleção para o Oscar 2011, ligeiramente diferente da minha. Dêem uma olhada.

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Oscar 2011 - parte três

Melhor Ator: O Rei e o Resto
Agora a situação começa a se complicar por aqui. Existem duas dúzias de filmes com bons atores sendo lançados esse ano, todos com chances de beliscar algum prêmio. Numa primeira tentativa, selecionei 30 nomes com potencial de concorrer a melhor ator principal ou coadjuvante em 2011. 30? Isso não é previsão. Separei daqui, cortei dali, enxuguei, abandonei nomes de peso e fiquei com a lista que segue abaixo. Para se ter uma idéia, cortei nomes como Leonardo DiCaprio, Ed Harris, Johnny Depp, James McAvoy, Sam "Avatar" Worthington, Jake Gyllenhaal, Russel Crowe, Javier Bardem e por aí vai.
De todos os nomes, o único que posso garantir presença na categoria melhor ator principal é Colin Firth. Formado nos palcos londrinos, Firth demorou para conseguir bons papéis em Hollywood. Agora, prestes a completar 50 anos, consegue estrelar três bons filmes seguidos: A Single Man, que lhe garantiu um indicação esse ano; Main Street, a ser lançado esse ano; The King's Speech, projeto talhado para ganhar inúmeros prêmios.
Além de Firth, o jogo está completamente aberto. A seleção que segue é muito mais incerta que a seleção feminina que fiz no post anterior (que, tenho certeza, vou acertar muita coisa). Posso errar todo o resto? Posso. Mas, quem sabe, meus poderes proféticos me ajudam. Vamos lá.

1 - Colin Firth. The King's Speech. Como eu disse, a única barbada da temporada. Colin fará o próprio Rei George VI, que contrata um especialista em oratória para superar sua fobia de falar em público. Uma megareconstituição de época, dirigida por Tom Hooper, que ganhou tudo e mais um pouco com a série para TV John Adams em 2008. E o filme será lançado no final de novembro, timing perfeito para entrar na corrida pelo Oscar.

2 - Geoffrey Rush. The King's Speech. Se uma produção quer ser levada a sério, escalam Geoffrey Rush no elenco. O australiano é sinônimo de boa atuação. Nessa reconstituição de época, Rush fará o especialista em oratória. Difícil não brilhar. Jogo minhas fichas em sua indicação para coadjuvante.

3 - Robert Duvall. Get Low. O nome mais falado no início do ano para concorrer ao Oscar 2011. Na verdade, o filme já estava pronto ano passado mas não foi lançado. O grande risco que Duvall corre é o do esquecimento. Seu filme será lançado em junho, no início do verão americano, a meses de distância da temporada de prêmios - filmes com chances de Oscar costumam ser lançados pelas distribuidoras no final do ano. Veremos se o velho Duvall tem fôlego.

4 - James Franco. 127 Hours; Howl. O segundo nome mais falado da temporada. James Franco é a estrela solitária desse filme, que conta a estória de um alpinista que sofre um acidente em uma escalada e recorre a medidas extremas para conseguir sobreviver. O primeiro projeto de Danny Boyle desde o multivencedor Slumdog Millionaire. Curiosamente, Slumdog ganhou tudo no Oscar em 2009, mas seus atores não foram indicados. Será que Boyle quer provar algo, dirigindo um filme de um homem só, seco, duro e sem a purpurina de Bollywood? Esse ano Franco também está em Howl, filme-cabeça em que interpreta o poeta beat Allan Ginsberg, além de três outros filmes que serão lançados no verão americano, como a comédia romântica Eat Pray Love, encabeçada por ninguém menos que Julia Roberts. Franco tem feito tudo certinho em sua carreira, alternando blockbusters e filmes mais independentes, em que pode mostrar suas habilidades de bom ator. Veremos se será recompensado em 2011.

5 - Josh Brolin. True Grit; Jonah Hex; You Will Meet a Tall Dark Stranger; Wall Street: Money Never Sleeps. Não gosto de Brolin, um ator limitado e inexpressivo. Mas parece que a Academia gosta de sua atuação, digamos, minimalista, e do jeito cowboy tosco de ser do ator. Curiosamente, dois dos quatro filmes que Brolin estrela esse ano são westerns, um deles simplesmente feito para a glória: True Grit, o novo filme dos irmãos Coen, regravação do western de 1969 que rendeu o único Oscar da carreira de John Wayne. Além disso, Brolin está no novo filme de Woody Allen (You Will Meet...) e no novo filme de Oliver Stone (Wall Street). Participando de projetos de três grandes diretores - trato os irmãos Coen como uma pessoa só -, acho difícil Brolin não descolar uma indicação, ao menos de coadjuvante.

6 - Jeff Bridges. True Grit. Pois é, Bridges fará exatamente o papel que deu o Oscar de ator principal a John Wayne. Bridges volta a ser dirigido pelos Coen, parceria que no passado deu origem ao sensacional The Big Lebowski. O Dude não poderia ter escolhido projeto melhor para amarrar seu cavalinho. Agora corre sérios riscos de disputar a estatueta com Colin Firth de novo, como em 2010. Só não sei se leva.

7 - Tom Wilkinson. The Conspirator; the Debt; the Ghost Writer. Wilkinson está em meia dúzia de filmes em 2010 - escolhi apenas três para citar aqui. O ator vem merecendo um oscarzinho desde The Full Monty. Wilkinson não tem papel de destaque em nenhum dos três filmes citados, o que facilita sua indicação para coadjuvante.

8 - Mark Rufallo. The Kids Are All Right; Margaret; Shutter Island; Sympathy For Delicious. Já passou da hora de a Academia reconhecer as qualidades de Ruffalo e promovê-lo ao primeiro escalão de Hollywood. O ator vem ganhando paulatinamente reconhecimento e valor entre seus pares, mas ainda não conseguiu uma indicação ao Oscar. Presente em quatro filmes esse ano, talvez agora consiga. Mas nem tudo são flores em sua corrida para uma indicação. Ele está excelente em Shutter Island, mas o filme foi lançado em fevereiro, longe, muito longe da temporada de prêmios, que só começa no final do ano. Symathy For Delicious é um projeto dirigido e estrelado por Ruffalo e que lhe rendeu prêmio de melhor ator em Sundance esse ano, mas certamente terá distribuição reduzida. Sobra a comédia romântica The Kids Are All Right, que tem grande potencial (falarei mais sobre ele em breve) mas com distribuição prevista para o verão americano - mais uma vez, o problema da distância - e Margaret, que ainda não tem data para ser lançado esse ano. Que os deuses do cinema ajudem Rufallo, porque o calendário de lançamentos certamente não vai.

9 - Sean Penn. The Tree of Life. Penn não gosta da Academia, mas a Academia adora ele. Já ganhou dois Oscars de melhor ator principal nos anos 2000. Se ganhar mais um na mesma categoria, quebrará o recorde da Academia. Por isso mesmo, acho que tem mais chances de ser indicado a coadjuvante. O filme é dirigido e escrito por Terrence Malick, ou seja, falerei dele mais tarde, na seleção dos melhores filmes do ano.

10 - Brad Pitt. The Tree of Life. Não, não me enganei. Pitt pode sim receber uma indicação, provavelmente por coadjuvante. Afinal, é um filme de Malick. Além disso, a Academia gosta dele e quer premiá-lo. Não sei se esse é o projeto certo para que isso aconteça, mas uma indicação pode acontecer.



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domingo, abril 25, 2010

Oscar 2011 - parte dois


Melhor Atriz: o Fator Streep-Dench-Winslet
Nos últimos doze anos, três atrizes têm surgido entre os nomes indicados para a categoria principal ou para coadjuvante com uma constância que impressiona. Meryl Streep foi indicada seis vezes; Judi Dench, seis vezes; Kate Winslet, cinco vezes. Desde 1998, apenas dois anos não tiveram a presença de nenhuma das três atrizes no Oscar, 2004 e 2008.
Existem outras boas atrizes com várias indicações no mesmo período, como Cate Blanchett (quatro vezes) ou Helen Mirren (três vezes). Mas a verdade é que nos acostumamos a ver as três atrizes sentadas no auditório do Kodak Theater concorrendo a algo.
Em 2011, porém, é provavel que nenhuma delas esteja lá.
Streep está descansando. Winslet está envolvida com duas pequenas comédias e uma série de TV. Apenas Judi Dench tem um projeto de peso em andamento: uma adaptação de Jane Eyre, romance de Charlote Brontë. Mas é difícil que o filme fique pronto em 2010. Mesmo assim, colocarei o nome da Dame entre as possíveis candidatas. Um clássico da literatura inglesa, reconstituição de época... seguro morreu de velho.

1 - Judi Dench. Jane Eyre. Como disse acima, o que Dench toca vira ouro. Se o filme for lançado a tempo, Dame Dench estará lá novamente, provavelmente entre as coadjuvantes.

2 - Helen Mirren. Brighton Rock; The Debt; Love Ranch; The Tempest. Dame Mirren é certamente uma das melhores atrizes em língua inglesa da atualidade e estará em cartaz em seis filmes ao longo de 2010. Isso mesmo. Escolhi apenas os quatro com mais chances. Por qual filme ela será indicado, não tenho a menor idéia. Mas, com um Oscar já ganho, duas Palmas de Ouro, três Globos de Ouro, não sei quantos BAFTAs, é virtualmente impossível ela não ser lembrada por pelo menos um dos filmes de 2010.

3 - Hilary Swank. Betty Anne Waters. A menina de ouro foi a nocaute ano passado, com o desastre aéreo Amelia. Mas pode se recuperar esse ano com um projeto bem ao gosto da Academia. O filme conta a história de uma mãe solteira que resolve estudar direito para servir como advogada de defesa de seu irmão, injustamente acusado de assassinato. Não parece puro ouro? O único senão é o diretor do filme, Tony Goldwyn, ator fraquíssimo e diretor medíocre. Caberá à Swank convencer a todos nós que não é ouro de tolo (sinceramente, de todas as indicações aqui, é a que eu tenho menos convicção).

4 - Imelda Stauton. Another Year. A atriz mais feia da Inglaterra já merecia um Oscar por Vera Drake, quando perdeu pra menina de ouro aí de cima. Agora volta com mais um dramalhão de ninguém menos que Mike Leigh, o diretor que faz todo mundo chorar. Leigh é um diretor de atores de mão cheia, e Stauton uma excelente atriz. Deve conseguir uma indicação.

5 - Helena Bonham Carter. The King`s Speech; Alice in Wonderland. Uma das melhores atrizes de sua geração, Helena se casou com Tim Burton e se especializou em personagens freaks. Uma pena. Dessa vez, pode ter chance com o papa-Oscar The King`s Speech (falo dele em breve), em que fará a rainha Elizabeth. Será que finalmente teremos a eterna noiva do Frankenstein subindo no palco do Kodak Theater? Quem sabe. Ao menos uma indicação por coadjuvante acho que ela ganha.

6 - Anne Hathaway. Love and other Drugs. Desde Brokeback Mountain, Hathaway vem experimentando papéis mais interessantes. Com isso, conseguiu uma indicação com Rachel Getting Married em 2009. Agora volta a fazer par romântico com Jake Gyllenhaal, numa comédia-dramático-romântica (pois é...) do excelente diretor Edward Zwick (Glory, Legends of the Fall, Blood Diamond). Detalhe, o personagem dela tem Parkinson, e, todo mundo sabe, a Academia adora esses toques dramáticos. Não deve ganhar, mas uma indicação é possível.
7 - Carrey Mulligan. Never Let Me Go. A nova queridinha de Hollywood será indicação certa no Oscar 2013 com o projeto de regravar My Fair Lady - sim ela fará Eliza. Mas, bom, ainda estamos falando de 2011. Para esse ano, Carrey só tem chances com o filme citado, uma adaptação de uma novela de Kasuo "Remains of the Day" Ishiguro - mais um ponto positivo (falarei do filme em breve). Com diversos papéis fortes femininos, existe ainda a possibilidade de o filme emplacar mais de uma atriz nas indicações.
8 - Keira Knightley. Never Let Me Go; London Boulevard; Last Night. Keira conseguiu bons papéis dramáticos em três filmes que saem esse ano. Ao que parece, estão apostando nela. Sei que ela não é nenhuma Brastemp, mas eu aposto nela também. Em London Boulevard, ela contracena com Colin Farrel; em Last Night, com Sam "Avatar" Worthington. Mas talvez ela seja lembrada mesmo por Never Let Me Go - dos três, o filme mais aguardado e que vêm gerando mais expectativas.
9 - Aronofsky girls de Black Swan. Darren Aronofsky já mostrou que sabe tirar sangue de seus atores até conseguir atuações primorosas, sejam homens ou mulheres. Foi assim com Ellen Burnstyn em Requiem for a Dream, foi assim com Mickey Rourke em The Wrestler - e os dois foram indicados a melhor ator/atriz principal. Em Black Swan, Aronofsky escalou três mulheres para papéis fortes: Mila Kunis, Natalie Portman e Winona Ryder. Natalie é, de longe, a melhor atriz, mas Darren também já mostrou que consegue resgatar ovelhas negras - e Wynona é uma. Já Kunis, bom, ela é uma gracinha e isso já basta, mas, quem sabe, Darren nos mostra que ela também sabe atuar.
10 - Mia Wasikowska. Jane Eyre; Restless; The Kids are All Right; Alice in Wonderland. Se Mila é apenas um rostinho bonito, Mia, por sua vez, já mostrou a que veio. Descoberta na surpreendente série In Treatment, Mia vai aparecer em dois e, possivelmente, quatro filmes em 2010. Continuo achando difícil Jane Eyre ficar pronto a tempo, tampouco Restless, o novo filme de Gus Van Sant. Mas Mia está nos dois. E com o papel principal. Impressiona a ousadia dos projetos em que essa menina de 20 anos vem se metendo: um clássico da literatura infantil dirigido pelo louco Burton; um clássico da literatura inglesa; dois filmes de diretores bem alternativos. Vale a pena prestar atenção nela. E, se Restless e Jane Eyre não ficarem prontos a tempo, já tenho o primeiro nome para o Oscar 2012.

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Oscar 2011 - parte um


Nove Meses

Quem já passou por aqui sabe a fixação que tenho pelos Academy Awards. Oscar é coisa séria lá em casa. Quem não sabe, pode dar uma lembrada em como foi o Oscar 2008 na pequena cobertura que eu fiz à época. Das oito categorias principais - melhor filme, diretor, roteiro adaptado, roteiro original, ator, atriz e coadjuvantes - acertei todas as minhas previsões.

Mas, bom, as previsões aconteceram alguns dias antes da festa. Comecei a me perguntar se teria a mesma destreza com certa antecedência. Antes dos candidatos do ano serem anunciados, quem sabe? E antes dos prêmios secundários, da chamada temporada de prêmios, que começa no final de dezembro, seria possível? Vocês sabem que o mapa da mina para saber quem tem chances no Oscar é ver quem faz bonito nos Guild Awards - Actors, Directors e Producers - e no Globo de Ouro.

E se eu fosse ainda mais radical? E se desse a minha lista de apostas antes mesmo de os filmes serem lançados? Antes mesmo de saber SE serão lançados? E se eu apresentasse minha lista nove meses antes de os indicados serem anunciados, como um verdadeiro futurólogo deve fazer? Como se dissesse para uma mulher desconhecida no meio da rua que em nove meses ela seria mãe? Teria eu alguma chance? O desafio me pareceu interessante.

Há dois meses, a Academia já anunciou a data da Cerimônia do próximo Oscar: Dia 27 de fevereiro de 2011. Os candidatos serão anunciados um mês antes: 25 de janeiro de 2011.

Nos próximos posts, jogarei os dados. Apresento a vocês minhas apostas para melhor filme e melhores ator e atriz. Calma, não serei tão acurado como em 2008. Dessa vez, farei uma seleção de dez filmes que, a meu ver, têm chances de estar entre os dez indicados em 25 de janeiro ou grandes chances de receber múltiplas indicações (embora não necessariamente melhor filme). Não esqueçam que desde 2010 os indicados para melhor filme aumentaram para dez. Farei também uma seleção de atores, mas, como os filmes sequer foram lançados, não sei o tamanho e a importância dos papéis, ou seja, não sei se serão indicados a melhor ator principal ou coadjuvante.

Mesmo que eu erre, a brincadeira será divertida e pode servir de agenda aos incautos que passarem por aqui em relação aos bons filmes que deverão aparecer em terras tupiniquins esse ano e no início de 2011.

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terça-feira, fevereiro 26, 2008

Oscar 2008 - enterro dos ossos


Pai Gustavo Prevê o Futuro
Das oito principais categorias da noite de domingo, dei antecipadamente o nome de cinco vencedores, como vocês podem ver no post abaixo. Além disso, nas outras três categorias, reduzi o número de potenciais ganhadores para dois – no caso de melhor atriz, que mencionei que ficaria entre Julie Christie e Marion Cotillard, e no caso de roteiro adaptado, em que disse que ficaria entre os Coen e Paul Thomas Anderson – ou três – no caso de atriz coadjuvante, em que citei Cate Blanchett, Tilda Swinton e Ruby Dee. Nos três casos, os vencedores estavam dentre os nomes citados.
Acho que vou armar uma tenda e começar a prever a sorte, desfazer amarração, mau-olhado, trazer a pessoa amada de volta em cinco dias úteis – não trabalho fim de semana. Pedidos e cartas poderão ser enviados para o endereço do site.
E, por via das dúvidas, vou jogar na mega-sena amanhã. De repente...

A cerimônia – rapidinhas

Daniel, Tilda, Marion e Javier
É sempre legal ver bons ou, como foi o caso, excelentes atores serem premiados no Oscar. Nem sempre isso ocorre. Nunca se esqueçam de Julia Roberts em 2001, por Erin Brockovich, de Cuba Gooding Jr. em 1997 por Jerry Maguire, ou da Cher em 1988, por Feitiço da Lua (ganhando simplesmente de Glen Close, por Atração Fatal, e Meryl Streep, por Ironweed).

Prestem atenção: Marion Cottilard vai bombar de novo nas telas em... 2009. Pois é, vai demorar um pouco. Ela estará no novo filme de Michael Mann, Public Enemies, ainda em pré-produção. Com Johnny Depp e Christian Bale.

Jon Stewart me perdoe, mas: Socorro!!! Tragam Billy Cristal de volta, urgente!!!! Que cerimônia mais chocha. Falta mais piada infame. Falta mais animação. Falta Billy.

Dentre as mulheres mais lindas da noite, duas grávidas: Cate Blanchett e Jessica Alba. Pelo jeito, é o único jeito de evitar uma epidemia de anorexia em Hoollywood: baby boom.

Se a festa não era a fantasia, por que Daniel Day-Lewis foi de pirata – com um paletó do século XVIII e uma argola de ouro pendurada em cada orelha – e Tilda Swinton de assombração?

Se George Clooney continuar a enrugar e encolher do jeito que está, em pouco tempo vai ficar a cara do Martin Landau. Repara só.

Jon Stewart volta dos bastidores morrendo de rir dizendo que os vencedores da categoria canção original, Glen Hansard e Markéta Irglová, estavam brincando com as estatuetas nos bastidores, fazendo elas se beijarem na boca. De repente Markéta diz, ei, mas os dois são homens. No que Glen responde, não tem problema, estamos em Hollywood. Meia hora depois, quando o Oscar de melhor ator é anunciado, Daniel Day Lewis, antes de subir no palco, dá uma bitoca em... George Clooney. Clooney? Pois é, Glen, Hollywood.

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domingo, fevereiro 24, 2008

Oscar 2008 - parte quatro

Apostas para hoje à noite
Melhor filme:
Não há muita dúvida. Juno é uma gracinha; Atonement é um drama de primeira; Micheal Clayton um thriller de advogados como há muito não se via. E There Will ber Blood, bom, como já disse, é o melhor filme de 2007. Uma seleção boa, como há muito não se via. Mas o homenzinho dourado, hoje, deverá ir para No Country for Old Men, dos Coen. Por quê? Oscar não é matemática, mas, vejamos. Os votantes da Academia são, em sua maioria, atores. Além deles, também votam diretores, produtores e roteiristas. Pois o filme dos irmãos Coen ganhou simplesmente os principais prêmios dos quatro sindicatos em questão: O Screen Actors Guild, o Directors Guild of America, o Producers Guild of America e o Writers Guild of America.
Acredito que uma surpresa, e a única possível nessa categoria, seria o Oscar de melhor filme ir para There will be Blood. Mas o mais provável é que os irmãos Coen saiam com o principal prêmio debaixo do braço.

Melhor Diretor:
Mais uma vez, os Irmaõs Coen, o monstro cinematográfico de duas cabeças, devem ganhar. Mas a Academia também gosta de pregar pequenas surpresas. Com o Oscar de melhor filme garantido para os Coen, não é de se surpreender que outros diretores aumentem as chances de ganhar. Nesse caso, mais uma vez, o anti-épico There Will be Blood, e seu diretor, Paul Thomas Anderson, são minhas apostas. Além disso, Reitman, diretor de Juno, é muito novo. Gilroy, Michael Clayton, é estreante, e Schnabel, de Le Scaphandre et le Papillon, muito alternativo.
Melhor Ator:
Esse é a única categoria, em toda a noite, em que não haverá nenhuma surpresa. Repito, aposto todos os meus dobrões que não haverá surpresa aqui. Hoje será a noite de Daniel Day-Lewis sair consagrado do Kodak Theater. Será seu segundo Oscar – ganhou seu primeiro por Meu Pé Esquerdo, em 1990. Até George Clooney, um dos candidatos, disse, em recente entrevista para a Time Magazine: “Sou a Hillary Clinton do Oscar. Eu até teria chance de vencer, se Obama não estivesse concorrendo”. Obama, nesse caso, é Daniel Day-Lewis.

Melhor Atriz:
A Academia gosta de render homenagens. Premiar um ator em fim de carreira. Foi assim com Michael Caine, Jessica Tandy, e por aí vai. Esse ano, podem fazer isso de novo, dessa vez com Julie Christie. Afinal, quem não gosta de Julie Christie? Nossa eterna Lara de Doutor Jivago, Julie teve uma carreira de sucesso, principalmente nos anos 60 e 70. Após anos fazendo pequenos papéis, Julie está excelente em um filme nem tanto, Away from Her.
Há uma pedra no caminho de Julie. Essa pedra é francesa. Marion Cotillard é responsável pela melhor performance feminina no ano de 2007. Sua personificação de Edith Piaf em La Mome é sobrenatural. Assustadora. Comovente. Se a premiação da Academia fosse justa, não haveria dúvidas, Cotillard ganharia. Mas não é. Torço por ela, mas temo que Marion perca a estatueta para o coração mole da Academia, que gosta de passar a mão na cabeça dos seus favoritos, como é o caso de Julie.

Melhor Ator Coadjuvante:
Poderíamos adaptar a frase de Clooney aqui. Se Barden não estivesse concorrendo, seria uma categoria equilibrada. Casey Afleck, por exemplo, leva seu filme nas costas, em uma atuação perfeita, conseguindo mesclar melancolia e tensão. Philip Seymour Hoffman é um dos melhores atores de sua geração, e será indicado ainda muitas vezes nos próximos anos. Tom Wilkinson é o ator com quem todo mundo gostaria de contracenar, e George Clooney viu isso. Está fantástico, em um filme mediano – por sinal, os coadjuvantes de Michael Clayton dão um show, Wilkinson e Tilda Swinton. Mas, não, esqueçam: os Oscar irá para o novo queridinho latino da Academia. Javier Barden. Será ele um Banderas que sabe atuar, perguntava-se a Academia. Barden mostrou pra todos que não só sabe: é excepcional.

Melhor Atriz Coadjuvante:
Uma das categorias mais disputada da noite. Todos querem que Cate Blanchett leve seu segundo Oscar. Mas Tilda Swinton está espetacular em Michael Clayton. E, correndo por fora, Ruby Dee tem aumentado suas chances, principalmente depois que faturou o Screen Actors Guild deste ano. Além disso, há sempre o fator idade: Ruby tem 84 anos. Será ela a Jessica Tandy da vez? Bom, hoje a noite torço por Cate.

Melhor Roteiro Original:
Mais um Oscar com pouca disputa. Diablo Cody, roteirista de Juno, leva fácil. Será interessante vê-la subir no palco. Por quê? Bom, procurem saber mais sobre essa menina, e vocês entenderão.

Melhor Roteiro Adaptado
Difícil categoria, disputada. Mais uma categoria em que haverá o embate direto entre os irmãos Coen e Paul Thomas Anderson. Tudo dependerá de quão Coen será a noite.

Façam agora vocês suas apostas. E boa diversão hoje à noite.

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sábado, fevereiro 23, 2008

Oscar 2008 - parte três

Os vencedores desde já

Antes que os envelopes sejam abertos e discursos chorosos comecem a ser desfiados. Antes que Jon Stewart faça as prováveis piadas sobre a greve dos roteiristas e as primárias americanas. Antes que o show comece, já podemos contabilizar alguns vencedores. Vejam:
Irmãos Coen

Essa entidade de duas cabeças e muitos filmes no currículo finalmente pode ser considerada, hoje, o grande nome do cinema mundial, junto com Almodovar. Joel e Ethan colecionam prêmios e filmes excelentes em uma carreira de quase vinte e cinco anos. Já ganharam Sundance - com seu primeiro filme, Blood Simple -, já ganharam Cannes, algumas vezes por sinal. Já ganharam Oscar de melhor roteiro original, por Fargo. Falta agora o grande prêmio, seja ele o de direção ou de filme - o que deverá acontecer amanhã. Aposto no de direção. De qualquer forma, é o segundo filme deles com uma imensidade de indicações, oito, ultrapassando o último grande sucesso deles, Fargo, que recebeu sete e levou duas - roteiro adaptado e atriz. Enfim, Joel e Ethan são, hoje, os novos irmãos Lumiere, os irmãos Cinema.

Paul Thomas Anderson
Já havia feito dois ótimos filmes, Boogie Nights e Magnólia, uma ótima comédia, Punch Drunk Love. Agora, com apenas 37 anos, mostrou para todos que já é gente grande. Que quer mais. There will be blood é o melhor filme do ano de 2007, sem dúvida. Não deve ganhar melhor direção porque os Coen devem levá-la pra casa. Mas provavelmente levará melhor filme - nesse caso, levar mesmo, porque participou da produção do filme. E ainda corre o sério risco de levar roteiro adaptado - também escreveu o roteiro do filme. O garoto é bom.

Tony Gilroy
Já era respeitado em Hollywood como roteirista. Escreveu a trilogia Bourne, o roteiro de the Devil's Advocate - bom filme com Pacino e Keanu Reeves. No primeiro filme que dirige, Michael Clayton, recebe indicação a melhor diretor. Michael Clayton está indicado em sete categorias. The Bourne Ultimatum, em que foi roteirista, outras três. Nada mal, participar de dois filmes que, juntos, somam dez indicações.

Cate Blanchett
Nos últimos quatro anos, um Oscar na prateleira e outras três indicações. Oscar de atriz coadjuvante em 2005, por the Aviator. Indicação em 2007, por Notes on a Scandal. E duas, sim, duas indicações esse ano: melhor atriz por Elizabeth, the Golden Age, e melhor atriz coadjuvante por I'm not there. Não deverá ganhar melhor atriz, mas tem chances reais de levar pra casa um segundo Oscar de atriz coadjuvante - se Tilda Swinton deixar. Cate já merece uma estrela na calçada da fama.

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sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Oscar 2008 - parte dois

Barrados no Baile, ou, Esqueceram de Mim

Antes de falar dos indicados, vale a pena falar dos que não foram convidados pra festa. Dos esquecidos. Dos injustiçados.
Todo ano é a mesma coisa, como todo prêmio, há opiniões divergentes, discussões, indignações sobre quem venceu, quem deveria ter vencido. Mas nem sempre se fala dos que nem chegaram nos play-offs, nas finais. Esses, coitados, são sumariamente esquecidos.
Alguns filmes e atores que conquistaram crítica e público (às vezes um ou outro) não foram lembrados para o Oscar. Vejamos.

Zodicac
Não esperava uma dezena de indicações, mas, céus, quando esse filme saiu nos EUA, os críticos chegaram a ser chatos por tão unânimes. Todos o aprovaram. Não seria surpresa nenhuma ver seu nome lembrado em roteiro adaptado ou ator coadjuvante (no caso, robert Downey Jr.). Pois é, nada disso. Direto para o esquecimento.

Goya's Ghosts
Milos Forman estava há anos fora de circulação. Volta com um bom filme, diria muito bom. A Academia gosta dele, gosta dos seus filmes. Mas dessa vez o ignoraram solenemente. Nada. Nem para diretor, nem para as categorias menores, figurino, fotografia, algo assim. Naaa. Direto para o oblívio.

Hairspray
Uma das melhores comédias do ano passado. Indicado a três Globos de Ouro. Zero no Oscar.

Os Simpsons
A Academia não gosta de filmes politicamente incorretos. Bart bêbado, policias gays, acho que foi demais. Preferiram indicar o bobinho Surf's Up (Tá dando onda) para melhor longa de animação.

Charlie Wilson's War
Outro filme muito bem cotado pela crítica. E... esquecido. Ok, quase esquecido. Phillip Seymour Hoffman foi indicado a ator coadjuvante. Mas Hoffman está num ponto de sua carreira que, se fizer uma ponta num filme dos irmãos Farrelly (Quanto mais idiota melhor, Quem quer ficar com Mary), é indicado ao Oscar e, bobear, ganha. O rapaz está impossível.

Meninas que não foram convidadas para o baile:
Meryl Streep, por Lambs for Lions. Meryl Streep deveria ser indicada por qualquer coisa, até anúncio de margarina. E olha que eu não gosto dela.
Keira Knightley, por Atonement. Sua atuação não é excelente, mas, ei, Julia Roberts já ganhou um Oscar e foi indicada outras duas vezes.
Helena Bonhan Carter, por Sweeney Todd. Já merece um Oscar há tempos. Está sempre bem, qualquer que seja o filme. Mas esqueceram dela. De novo.
Keri Russel , por Waitress. A eterna Felicity do seriado de mesmo nome conseguiu vencer a má vontade da crítica e ganhou o respeito de todos com esse filme. Menos da Academia.
Amy Adams , por Enchanted. Eu sei, eu sei. Filme da Disney. Comédia. Mas muita gente esperava que ela conseguisse ao menos uma indicação. Ou por Charlie Wilson's War, em que tem um papel menor. Não. Nenhum dos dois.

There will be blood
Não, não me enganei. O filme foi indicado em oito categorias. Sim, mas esqueceram uma. Trilha sonora, feita por Jonny Greenwood, do Radiohead. É maravilhosamente incômoda, desagradável. Consegue nos inserir perfeitamente no mundo distorcido e imoral de Daniel Plainview. Pelo jeito, a Acamedia não gostou.
Se lembrarem de mais esquecidos, comentem.

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Oscar 2008 - parte um



Muita gente não tem idéia do que sejam os Academy Awards. Já aquela cerimônia que tomou emprestado o nome do troféu, um homenzinho dourado e careca, todos conhecem: Oscar. Pois é, o apelido pegou.

Na minha casa, não se perde Oscar. Pode-se perder eleições, primárias americanas, apuração das escolas do grupo especial, Páscoa, Ramadã ou especial de fim de ano do Roberto Carlos. Com Oscar não se brinca. Nem se negocia.

Assisti à premiação pela primeira vez em 1986, quando Out of Africa (Entre Dois Amores) foi o grande vencedor (Filme, Diretor, Roteiro Adaptado, e mais uns outros quatro de lambuja). Curiosamente, ganhamos um Oscar naquela noite. Sim, William Hurt ganhou melhor ator com O Beijo da Mulher Aranha. E ninguém vai me convencer que esse filme não é brasileiro: Babenco é o argentino mais brasileiro do mundo do cinema, e o filme tem a Sonia Braga. Repito, Sonia Braga. Não preciso de mais nenhum argumento: ganhamos um Oscar em 1986.

Desde então, venho acompanhando a cerimônia religiosamente. Lembro de quando o dramático "and the winner is" foi substituído pelo politicamente correto "and the Oscar goes to". Foi em 1989. Ano em que o papa-Oscar foi Rain Man, não por acaso um filme bem politicamente correto.

Sou da geração Billy Cristal. Sinto saudades dele. Billy apresentou o Oscar de 1990 a 1993, sem largar o osso, e depois em 1997, 1998, 2000 e 2004. Pra quem não lembra, ou nunca assistiu, Billy começava sempre a cerimônia cantando uma música, um pout pourri de melodias e letras bem humoradas e às vezes escrachadamente engraçadas que remetiam aos candidatos a melhor filme do ano. Não esqueço o ano em que um dos candidatos era The Crying Game (Traídos pelo Desejo), e Billy, a cada trinta segundos, se referia ao filme segurando as partes - quem já viu o filme, entendeu a piada, quem não viu, veja, é excelente, um drama de primeira. Pra mim, mestre de cerimônias do Oscar é o Billy Cristal, assim como o papa é e sempre será o Jõao Paulo II.

Esse ano, octagésima cerimônia, uma seleção surpreendentemente boa. Nenhum filme genial, que ficará para a história do cinema, mas muita coisa boa. Segue abaixo as indicações para as principais categorias. No próximo post eu falo sobre cada um dos indicados.


MELHOR FILME:
Atonement
Juno
Michael Clayton
No Country for Old Men
There Will Be Blood

MELHOR DIREÇÃO:

Paul Thomas Anderson, por There Will Be Blood
Ethan Coen, Joel Coen, por No Country for Old Men
Tony Gilroy, por for Michael Clayton
Jason Reitman, por Juno
Julian Schnabel, por Le Scaphandre et le papillon

MELHOR ATRIZ:

Cate Blanchett, por Elizabeth: The Golden Age
Julie Christie, por Away from Her
Marion Cotillard, por Môme, La
Laura Linney, por The Savages
Ellen Page, por Juno

MELHOR ATOR:

George Clooney, por Michael Clayton
Daniel Day-Lewis, por There Will Be Blood
Johnny Depp, por Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street
Tommy Lee Jones, por In the Valley of Elah
Viggo Mortensen, por Eastern Promises

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE:

Cate Blanchett, por I'm Not There
Ruby Dee, por American Gangster
Saoirse Ronan, por Atonement
Amy Ryan, por Gone Baby Gone
Tilda Swinton, por Michael Clayton

MELHOR ATOR COADJUVANTE:

Casey Affleck, por The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford
Javier Bardem, por No Country for Old Men
Philip Seymour Hoffman, por Charlie Wilson's War
Hal Holbrook, por Into the Wild
Tom Wilkinson, por Michael Clayton

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL:

Juno: Diablo Cody
Lars and the Real Girl: Nancy Oliver
Michael Clayton: Tony Gilroy
Ratatouille: Brad Bird, Jan Pinkava, Jim Capobianco
The Savages: Tamara Jenkins

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO:

Atonement: Christopher Hampton
Away from Her: Sarah Polley
Le Scaphandre et le papillon: Ronald Harwood
No Country for Old Men: Joel Coen, Ethan Coen
There Will Be Blood: Paul Thomas Anderson

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